segunda-feira, 24 de julho de 2017

Bereshit - O Princípio e o Tempo!

א   בְּרֵאשִׁית, בָּרָא אלהים, את הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ

א - alef
Bereshit, bara Ulhim את hashamayim  ve-et ha-aretz

UL HIM – Ul significa “totalidade – Soberania” – him “poderes” – Não usamos Elohim –Porque - EL remete a BEl, Baal, portanto é uma forma corrompida

No princípio, criou o Soberano de Poderes os céus e a terra.

בְּרֵאשִׁית  - Bereshit - NO PRINCÍPIO: Esta é a primeira palavra da Torah, logo após ela vem uma ta’amim tarcha (em hebraico) que equivale a uma vírgula, separando-a do verbo ‘bara”.  É uma palavra estranha, e, até onde vai o nosso conhecimento, um caso único na Escritura. Isto nos remete a uma parada reflexiva na leitura.


No princípio DE QUE?  Esta palavra é um sod (mistério profundo) nos remete ao mais absoluto princípio, e ao mesmo tempo nos dá a resposta – No princípio dos princípios, bereshit , em algum tempo das eras eternas. 

É é importante entender que este tempo não foi o primeiro dia, pois no primeiro dia a terra existia sem forma e vazia. Então quando é este princípio? Não sabemos “quando”, isto não é revelado, e mesmo que fosse revelado, talvez não entenderíamos a dimensão do tempo a que se referiria. Estamos no “terreno tempo” de Ulhim - “Soberano de Poderes” que vive eternamente, sem princípio e sem fim... Pode haver espaço de eras entre o verso 1 e o verso 2 de Gênesis...

A FORÇA DA PALAVRA:

Outro ponto muito interessante, que inclusive não aparece na tradução para o português, é o fato de antes da palavra Bereshit existe a letra Alef, "א" a primeira letra do alfabeto hebraico. E após a palavra Ulhim aparece "את" a primeira letra e a última letra do alfabeto, (temos que considerar que no hebraico se escreve de direita para a esquerda) descrevendo em símbolos a totalidade do *alfabeto.

Então o princípio também surgiu o alfabeto, a forma de expressão falada para que a palavra fosse transmitida de forma compreensível. É bem lógico esta sequencia, porque se não houvesse a escrita, não haveriam as palavras, nem a história contada chegando até nós!
*A palavra alfabeto provem da fonética das letras "אב" - Alef Bet.


A importância dos verbos da língua hebraica usados na descrição em Bereshit/ Gênesis 1 - A Criação:

Para que fiquei claro, no processo de criação em Bereshit (Gênesis) a Escritura hebraica, que Mehushuah - Moisés escreveu em seu original aparecem verbos específicos para os dias da criação.

1º -     Bara (Gênesis 1:1) [ברא] – criar do nada (só Yahveh pode fazer);
2º -     Yhy (Gênesis 1:3) [יהי] - ser, estar (tornar-se, agir de uma determinada forma);
3º -     Asa (Gênesis 1:7) [עש] – fazer/formar a partir de uma matéria prima;
4º -     Yatsar (Gênesis 2:7) [יצר] – modelar/moldar (como o oleiro dando forma ao barro);
5º -     Banah (Gênesis 2:22) [בן] – construir (construção sobre uma base).

Note a perfeição das palavras usadas no relato:

Em Gênesis 1:7 - Fez Ulhim o firmamento e a separação entre as águas...no 2º dia a expressão usada é  Asa – “עש” que significa  fazer/formar a partir de uma matéria prima.
Em Gênesis 2:7  - Quando formou Yahveh o homem do pó no 6º dia, a expressão usada é -  Yatsar [יצר] – modelar/moldar (como o oleiro dando forma ao barro) e na criação da mulher o verbo é “banah” (Gênesis 2:22) [בן] – construir (construção sobre uma base)

בָּרָא - bara – CRIOU – Este verbo especificamente traz o significado de CRIAR DO NADA  -
Este verbo aparece ao se referir-se apenas à criação dos céus e da terra.

Que céus surgiram do nada no princípio absoluto? Estamos nos detendo no raciocínio do relato apresentado em sua ordem cronológica.

et hashamayim / ve-et ha-eretz – OS CEÚS E A TERRA – O âmago da questão e a parte mais importante deste estudo está justamente na junção destas informações para chegarmos até aqui. Neste exato ponto!

A pergunta é: o que significa a expressão “céus”? O que vc entende por céus? Muita gente tem em suas mentes a impressão de que céus é aquela parte azul que temos acima das nossas cabeças, não é a isso que se refere a expressão escriturística shamaym – “céus”. 

Os céus, aqui referidos só podem ser as constelações, nebulosas, com suas miríades de estrelas, de diferentes grandezas, planetas, com suas órbitas e suas luas correspondentes que estão dentro da nossa galáxia, e meio a outras miríades de galáxias espalhadas por todo o espaço sem fim. 

Neste princípio também foi criada a terra  inserido na palavra "Princípio" - Bereshit, está o tempo em que tudo isso veio a existência, não sabemos quando... Há um tempo entre os versos 1 e 2! Entre a criação dos céus e da terra e do primeiro dia... É extremamente importante entendermos este fato!

O primeiro dia - LUZ !

Ao lermos o relato do Gênesis, nos sentimos como o centro de todo o universo; apesar de esta ser uma ideia sugestiva, ela é totalmente equivocada. A terra é um pequeno planeta que orbita o sol, que por sua vez, é uma pequena estrela que orbita em nossa galáxia que é conhecida como via láctea, que sequer é uma das maiores atualmente conhecidas entre as miríades existentes.

Vamos raciocinar, a terra já existia no 1º dia? Sim.

Só ela ? Não. Os céus – que são o sol, a lua, os constelados e tudo mais também já existiam, porque foram criados no princípio!

Quando Ulhim disse: Haja luz, se aproximou do nosso pequeno planeta no tempo em que é descrito como o Yom hishon - primeiro dia, a terra já existia sem forma, vazia cheia de água, porque foi criada no princípio das eras eternas. A expressão usada é Yhy  [יהי] (Gênesis 1:3) – que significa ser, estar (tornar-se, agir de uma determinada forma). 

Este verbo encaixa-se perfeitamente neste contexto, visto que a terra já estava criada, mas sem forma e vazia e Ele tornou a agir quando se aproximou dela...

Se houve tarde e manhã no primeiro dia, isto significa que havia o movimento de rotação da terra ao redor de seu próprio eixo, havia luz refletida de um determinado ponto fixo. A luz do primeiro dia não pode ser uma luz diferente da que há hoje, pois o relato afirma que os céus já haviam sido criados no princípio, então o sol já existia.

O posição do sol marca as horas do dia. O movimento de rotação da terra em relação ao sol, é que marca as partes claras e escuras do dia dentro de um período de 24 horas, então se houve um dia de 24 horas, tarde e manhã, o sol e a terra estavam em ação!


O que foi então feito no yom revii -quarto dia?

O que diz o texto?


וַאָׁ֣אֹמֶר אלהים יהי מְארֹתֹֹ֙ אִֺרְקִָ֣יעַ הַשָמַֹ֔יִם  - Disse Ulhim Yhy de luminares em expansão os céus

לְהַבְ אִּיל אֵֵֺ֥ין הַאִׁׁ֖וֹם א־בֵָ֣ין הַאִָ֑ׄיְלָה וְהָיִ֤א־ לְאתֹתֹֹ֙ - para separar entre o dia e a noite, e sejam para sinais

א־לְמָ֣וֹעֲדִֹ֔ים א־לְיָמִִׁ֖ים וְשָנִיָֽם וְהָיִ֤א־ לִמְאוֹרתֹֹ֙ - para meses, para dias e anos, e eles sejam para luminares

אִֺרְקִָ֣יעַ הַשָמַֹ֔יִם לְהָאִִׁ֖יר עַל־הָאִָ֑רֶץ וָֽיְַהִי־כֵָֽן - em expansão nos céus para iluminar a terra sobre  assim ele foi...

 
verbo usado no verso 14 – não é o bara – Ele criou a partir do nada. 
O verbo usado é Yhy  [יהי] – que significa - tornar-se, agir de uma determinada forma.

Ele tornou a agir, porque no princípio já havia...

No quarto dia, o sol a lua e as estrelas foram posicionados como marcadores dos tempos, formando assim o calendário, como um mecanismo intocável, perfeito que não quebra, não atrasa, não adianta (a não ser por intervenção do próprio Criador como aconteceu na batalha de “Josué” em Gibeon e no caso de Ezequias quando o sol retrocedeu em 15º).

SOL E LUA - MARCADORES DO TEMPO

No quarto dia, os DOIS LUZEIROS, o sol e a lua foram postos como um sinal no céu, a palavra usada é OT para marcar os tempos sagrados MOADIM. Aqui muitos entendem tempos sagrados, como as “FESTAS FIXAS”, mas não se esqueçam que na criação (no 4º dia) Não havia FESTAS FIXAS – pois elas só foram instituídas 2500 anos depois da criação. O que houve no quarto dia, foi a organização do mecanismo do tempo na sua singela contagem, onde Ulhim,  Yhy  [יהי]  - colocou os astros em suas determinadas órbitas para agirem de determinada forma tornando-se um imenso relógio!

Não há marcação correta do tempo apenas com o sol, ou apenas com a lua! O Soberano de Poderes Yhy – dois (2) luzeiros. Qualquer tentativa humana que sai deste processo que foi estabelecido na criação é uma adulteração, é falso e incorreto.

movimento de rotação  é a volta completa em que a terra dá ao redor de si mesma, marcando os dias, num período de 24 horas aproximadamente.

 O movimento de translação que é a volta completa em que a terra dá ao redor do sol, marca os anos, num período de 360 dias aproximadamente.

movimento de lunação - é a volta completa em que a lua rodeia a terra, marcando os meses, num período de 29 dias, 12 horas 44 minutos e 33 segundos aproximadamente. 

As "shavuot" semanas são marcadas a cada 7 dias, período em que a lua muda sua fase, estando astronomicamente num ângulo de 45º e 180 graus em relação ao sol a cada sétimo dia - o shabat que pode ser visto como um sinal "ot" no céu, sendo assim visível, portanto a lua é uma testemunha fiel no espaço como bem o salmista a descreve em Salmos 89:37. Em que consiste esta fidelidade? 
Consiste em marcar os meses, marcar as semanas e marcar os shabat.  Na escritura a Lua Nova ou primeira crescente é chamada de rosh chodesh que significa – cabeça do mês, quebrando assim o ciclo das semanas sequenciais existentes no calendário romano, ver Núm. 28: 11 a 14. E só após a lua nova, a contagem dos 6 dias de trabalho se  iniciam. ver Ezequiel 46:1 a 3.
  
O mês constituem -se de 4 shavuot e 4 shabatot (shabatot é o plural de shabat).

No primeiro shabat, dia 8, ao por do sol vemos a lua em zênite (acima das nossas cabeças) desenhada pela metade.
No segundo shabat, dia 15, ao por do sol vemos a lua nascendo no lado oriente completamente cheia, em alinhamento com o sol.
No terceiro shabat dia 22, ao nascer do sol, vemos a lua em zênite (acima das nossas cabeças) desenhada pela metade.
No quarto shabat, dia 29, nos meses de 29 dias, vemos a lua no seu último minguante no oriente logo antes do nascer do sol. Como há um acúmulo de 12 horas, (o mês possui 29 dias e 12 horas) nos meses de 30 dias, no último shabat a lua está em conjunção com o sol.   
Desta forma vemos a olho nu os dois luzeiros – sol e lua como os marcadores do tempo estabelecido no quarto dia da criação.

Dentro do tempo, existem os TEMPOS SAGRADOS. Aproximadamente 2500 anos após a semana da criação, na narração de Lev. 23. O shabat aparece como o primeiro dos Moedim – tempos sagrados, o SHABAT é um espaço de tempo separado dentro do tempo, com características físicas e espirituais bem específicas.
As Festas Fixas - "Mikra kadoshim", são datas onde aconteceriam os mais importantes cumprimentos de profecia dentro da história humana, estes fatos começaram a cumprir-se nos anos 31, onde vimos o cumprimento das Festas do primeiro mês Abibe, nos acontecimentos da Pessach, e no terceiro mês, no dia na festa das semanas - Chag Sahvuot -ou pentecostes, onde se cumpriu, a "chuva temporã" sobre os discípulos, e em e 1844, no término da profecia dos 2300 anos, e início da expiação do no dia 10 do mês sétimo, que em 1844 caiu no dia 22 de Outubro no calendário gregoriano.


O que marcam no tempo as ESTRELAS?

Na criação, além dos dois luzeiros, sol e lua, as estrelas também foram postas para marcarem o tempo. Como?

Não temos por hábito nos deter olhando os céus, e muito menos, o costume de observar as constelações, por duas principais razões obvias: Uma, porque a visibilidade é bem precária nos centros urbanos, e o outro motivo é que não somos incentivados, nem ensinados a contemplar os céus. Mas nos tempos antigos, a realidade era muito diferente. A noite, as estrelas eram vistas, observadas, admiradas e o conhecimento delas era ensinado aos filhos, eram conhecidos os seus movimentos pelo simples fato de o céu fazer parte da vida deles, e de sua contagem do tempo. O povo olhava o céu e sabia quais eram as horas do dia, olhavam a lua e sabiam qual era o dia do mês e da semana, e ao olhar o céu noturno sabiam exatamente em que mês estavam, e pela posição das constelações, discerniam com exatidão as estações do ano. As estrelas também forneciam a localização de forma que não se perdiam na face da terra.

Em Jó 38:32, lemos as palavras ditas pelo próprio Criador:
"Podes tu gerar as constelações em suas estações? Conheces tuas leis dos céus? Podes tu estabelecer os comandos/influência dos céus sobre a terra?"

As estrelas comandam as 4 estações, algumas bíblias que são traduções de padres e bispos a expressão constelações, é traduzida como signo do zodíaco, que são 12, o mesmo número dos meses. Isso fazendo uma alusão as 12 constelações que aparecem nos céus marcando os 12 meses.


Mais um fato impressionante que comprova que as constelações marcam fielmente os meses, é a descoberta feita pelos astrônomos, da existência da (13º) décima terceira constelação! Isto nada masi é do que os céus comprovando que existe o 13º mês - chamado mês embolístico, a cada 2 anos, chamado ano embolístico, que está no verdadeiro calendário das Escrituras.
A 13ª é a constelação se chama  "Ophiuchus", diz o astrônomo Airton Lugarinho.

Estação Outono - Constelação Símbolo: Leo (Leão)
Estrelas e objetos: Regulus (α) , Denebola (β) , Algeiba (γ).













Estação Inverno - Constelação Símbolo: Scorpius (Escorpião)
Estrelas e objetos: Antares (α) , Shaula (β) , Lesat (γ).













Estação Primavera - Constelação Símbolo: Pegasus (Pégaso)
Estrelas e objetos: Markab (α) , Enif (ε).












Estação Verão - Constelação Símbolo: Orion (Órion)
Estrelas e objetos: Betelgeuse (α) , Rigel (β) , Bellatrix (γ) , Saiph (κ) , Mintaka (δ) , Alnilan (ε) , Alnitak (ζ) . Nebulosa de Orion (M 42).


Bom lembrar que, no hemisfério norte, essa formula é alterada, pois quando no hemisfério sul é verão, no hemisfério norte é inverno, portanto no hemisfério norte: no Outono a constelação é Pegasus, no Inverno é Orion, na primavera é Leo e no Verão a constelação símbolo é Scorpius. 

Aqui no hemisfério sul, se tomarmos como base a Constelação de Órion, observando um mesmo ponto em um mesmo horário diariamente, veremos que as estrelas se locomovem 1 grau por dia no céu, aparecendo 4 minutos mais cedo a cada dia – 1 grau no espaço, equivale a 4 minutos no tempo, espaço e tempo se encontram e nos ajudam a compreender o delicado movimento de rotação da terra através de usa viagem ao redor do sol cruzando os céus.

As Escrituras são riquíssimas e cheia de sabedoria do Eterno, sem dúvida há um infinito a aprender ainda... As posições dos astros marcam o tempo em diversas frações podendo ser elas décadas, séculos, milênios e eras...

A nós que temos uma vida medida em algumas décadas, e uma história de apenas quase 6000 anos, só nos resta estar cientes de nossa total pequenez, e nos humilharmos diante da grandeza do tão sublime Ulhim – Soberano do Universo, nosso Criador, Mantenedor, Salvador, a ele toda honra! Baruk hashem  Yahveh! Baruk hashem Yahshuah!


Por Diná Soares



6 comentários:

  1. Como sempre, bem abrangente, que nosso Eterno dirija e abençoe.

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  2. Elohim é pagão? Não é um plural qualitativo? Como shemain? como etsim? main? Que são termos no plural que expressam garndeza e imensidão? um plural de excelencia? (diferente do plural de majestade). O texto original traz o termo Elohim. Não é um termo pagão, e sim um plural qualitativo, e não deve ser entendido como plural quantitativo. Mto comum isso no hebraico, usar termos no pluarl para expressar imensidão, grandeza.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. É importante ressaltar que o termo céus aqui não significa a criação de dois ou mais céus. O termo hebraico "shemain" está na forma plural, e por isso em diversas versões é traduzido como "céus". Porém a pluralidade do termo "shemain" não faz referência a uma quantidade de céus (dois ou vários céus) e sim a sua grandeza e imensidão. Em hebraico, temos o plural quantitativo e o qualitativo. Por exemplo: a palavra “árvores” em português se refere a mais de uma árvore (plural quantitativo), porém em hebraico, o termo no plural "etsiym" (árvores) pode significar mais de uma árvore (plural quantitativo) ou também uma árvore muito grande (plural qualitativo). A forma singular do termo céus em hebraico não é utilizado. Logo, a tradução "céus" não deve ser entendida como "quantidade de céus", e sim, a imensidão e grandeza do céu que está sobre nós. Esta explicação tbm se aplica ao termo Elohim.

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